HISTÓRICO DO PARQUE

 

A marca do campo na história da cidade!

 

A construção do Parque de Exposições João Alencar Athayde é uma história marcada por trabalho, dedicação e amor a terra, características típicas do homem do campo e, sobretudo, da classe produtora norte-mineira. 

Em 1951, Nozinho Figueiredo, pecuarista dedicado à melhoria genética de reprodutores, organizou a realização da primeira exposição de gado do Norte de Minas, em área localizada no bairro Alto São João, lançando ali a semente do que se tornaria a maior e mais completa estrutura de atendimento das demandas do setor agropecuário regional. 

Menos de dois anos após a realização da primeira exposição, numa reunião coordenada por Neném Barbosa, Nozinho Colares e João Alencar Athayde, decidiu-se pela aquisição de um terreno de 340 mil metros quadrados, ali mesmo no Alto São João. Na época o terreno pertencente ao senhor Levindo Dias foi adquirido por dois milhões de cruzeiros antigos para a construção do Parque de Exposições. 

Depois da visita a parques para exposições agropecuárias em várias regiões do país, a construção começou a se tornar realidade no dia 19 de janeiro de 1956. A classe rural empenhou-se em tornar realidade o ideal de construir uma obra definitiva, que chegasse às novas gerações com a mesma força que impulsionou o sonho pioneiro. Para isso, o projeto recebeu o arrojo necessário, contemplando a construção de amplas e modernas instalações, adequadas ao crescente aumento de demandas do setor rural regional. 

No dia 3 de julho de 1957 o Parque de Exposições foi entregue como presente a Montes Claros que, naquele dia, comemorava o seu centenário de emancipação político-administrativo. 

A partir daí, sempre coincidindo com o aniversário da cidade, as exposições agropecuárias passaram a ser realizadas de dois em dois anos. As mostras aconteciam somente durante o dia, priorizando os interesses dos criadores e transformando o Parque de Exposições num grande centro de negócios, mas principalmente, em uma referência da evolução da pecuária e do rebanho da região. As programações sociais aconteciam nos clubes localizados no centro da cidade, movimentando toda a sociedade em torno do certame.

Na década de 60, o Parque recebeu o nome de Parque de Exposições João Alencar Athayde, numa merecida homenagem a seu maior construtor e grande líder rural, por ocasião de seu falecimento. 

No início dos anos 70, em face a nova realidade da cidade com a chegada das indústrias e os incentivos da SUDENE, as exposições agropecuárias recebiam stands das indústrias locais, tornando-se vitrine do desenvolvimento da região. A partir de 1975, a Sociedade Rural de Montes Claros deu uma nova roupagem ao evento, com a inclusão, em sua programação, de shows com artistas de renome nacional. A novidade proporcionou um maior envolvimento do público e oportunizou que artistas nacionais viessem a Montes Claros, um acontecimento até então, muito raro. Isso mudou o perfil da maior mostra do setor agropecuário do Norte de Minas, ainda bienal, que passou a contar com recordes de público. 

Uma data a ser mencionada foi o ano de 1995, quando as Exposições agropecuárias passaram a ser anuais, acompanhando o calendário nacional e permitindo o ranqueamento do evento.

Ao longo da história, o Parque João Alencar Athayde se consolidou como uma tribuna privilegiada para levar ao conhecimento da sociedade e dos governos estadual e federal, as reivindicações da classe produtora rural do Norte de Minas e de diversos outros segmentos organizados da população.  

Conhecedores dessa força, vários presidentes da República atenderam convites da Sociedade Rural para participarem de eventos no Parque de Exposições. Foi assim na inauguração do Parque, em 1957, quando tivemos a presença do presidente Juscelino Kubitschek e, posteriormente, quando recebemos os presidentes Castelo Branco, Ernesto Geisel e João Batista de Figueiredo. 

Espaços físicos

A Sociedade Rural, única proprietária e mantenedora do espaço, sempre prezou pela excelência das instalações do Parque de Exposições João Alencar Athayde. Além das reformas constantes, investiu em novas obras para garantir a ampliação de suas funções, a comodidade e a segurança do público, tornando-o uma referência para todos os segmentos econômicos locais e servindo a cidade como um todo.

Em suas edificações abriga o Sindicato dos Produtores Rurais de Montes Claros, a Associação de Gado de Leite-ACGL,  o Núcleo Mangalarga Marchador, a Acomontes, o CBH Verde Grande,  as instalações do IMA, além da agência bancária do SICOOB CREDINOR. O Auditório Osmani Barbosa atende a cidade com mais de 200 lugares e recebe eventos políticos, sociais e educacionais de todos os segmentos. Destaque para o Taterssal Daul Soares Dias, que há mais de 3 décadas recebe leilões durante todo o ano.

O Laboratório de Análise Patológica criado pela Sociedade Rural em parceria com a Vallée S/A, tem um papel histórico e fundamental para o incremento da bovinocultura regional.

O núcleo social e de lazer, tem como epicentro o Clube dos Fazendeiros, que com excelentes instalações esportivas, tornou-se um centro de integração e aproximação dos associados e familiares.

A Sociedade Rural atendendo antiga reivindicação dos associados apreciadores do esporte vaquejada construiu no recinto do Parque uma moderna pista, que pode ser utilizada também para outras modalidades esportivas, tais como: team penning, prova de tambor, prova de baliza. 

No ano de 2010 o Parque recebeu sua primeira ampliação ao longo da história. Foram incorporados a este 11.923,13 m2, através de terrenos adquiridos pela entidade e da doação de ruas pelo poder público municipal, sendo possível que a nova praça de eventos Fernando Rebello Athayde fosse construída.    

Um empreendimento recente desta entidade é o Centro de Evento, com capacidade para 1.200 pessoas. Trata-se de um espaço multiuso, utilizado para realização de leilões e disponibilizado para a população para shows, formaturas, casamentos, etc, tornando o Parque João Alencar Athayde uma referência para os grandes encontros.  

 Diante de todo esse contexto se torna inegável que este lugar pertence ao coração de Montes Claros. Mesmo cidadãos alheios à atividade agrária sentem aqui um clima de festa, de confraternização, de identidade com a terra, do orgulho montes-clarense, do trabalho que dignifica o homem e faz chegar o progresso a todos. 

O Parque de Exposições João Alencar Athayde inaugurado em 1957 é uma grande referência regional. Palco para festas, espaço de eventos, estudos e de difusão do conhecimento, centro de prática esportiva, prestador de serviços. Mesmo com tantas funções, existe o orgulho de não abandonar os sonhos de seus idealizadores: atrair a atenção do país às potencialidades e problemas enfrentados pela agropecuária norte-mineira, além de levantar a voz na defesa dos interesses de Montes Claros e do Norte de Minas como um todo.

Fruto do trabalho voluntário dos diretores e associados, de uma dedicação muitas vezes imensurável entre muitos companheiros, o Parque de Exposições é a resposta concreta aos que acreditam na união classista, no espírito público e no crescimento compartilhado. Toda essa obra comprova a força da união dos ruralistas em torno de um só objetivo: deixar a marca do campo na história da cidade.  

 E comprovando o quão grande é o seu propósito e a sua história regiamente construída, deixamos aqui a frase que o define desde a sua fundação, e que guia a todos que deixam aqui seu trabalho:

"Este parque foi construído em homenagem a cidade de Montes Claros nas comemorações de seu centenário e constitui, a um só tempo, o resultado do esforço de sua gente e o fruto da boa vontade de quantos tributam amizade a essa terra. 

 

Quanto àqueles que o idealizam e realizaram, outra ambição não lhes moveu, nem outra glória os seduziu, que não o da grandeza desta terra, que foi sempre a mesma mãe, boa e generosa, daqueles que aqui nasceram e para quantos, um dia, vindo de outras terras, aqui chegaram." 



  - Artigo de Newton Prates, publicado no catálogo da 1ª Exposição (clique aqui)